Sony e Microsoft esfriam em 2017 e voltam a expor pensamentos diferentes

Sony e Microsoft esfriam em 2017 e voltam a expor pensamentos diferentes

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Este texto é opinativo e não necessariamente reflete as visões do site

O eterno braço de ferro entre Sony e Microsoft está cada vez mais fraco. Isso porque, a cada ano de suas singelas conferências da E3, a dupla inseparável está, na verdade, mais dividida, expondo pensamentos e objetivos de mercado que são, ao mesmo tempo, parecidos e contrastantes.

Ano passado fiz um balanço sobre a corrente filosófica no pensamento apolíneo-dionisíaco da mitologia grega, isto é, “razão e emoção”. Parafraseando aqueles dizeres: de um lado, temos Apolo, a razão, o “pé no chão”, o protocolo seguido à risca, com ritmo ok, correto. Essa é a Microsoft. Do outro lado, temos a emoção, vista também como “loucura” (no bom sentido), a ousadia de mostrar coisas fantásticas, a capacidade de envolver o espectador num ambiente 4D e tocá-lo no coração, mexendo, assim, com o emocional. Esse é o mérito da Sony.

Na demonstração de Call of Duty: WW 2 na Sony, bombas explodiram no meio do palco no momento em que granadas eram arremessadas no gameplay, e o cheiro de pólvora se alastrou no auditório

E, neste ano, a gigante japonesa não titubeou em criar cenários que mexessem com todos os nossos sentidos – até mesmo olfato. Na demonstração de Call of Duty: WW 2, por exemplo, bombas explodiram no meio do palco no momento em que granadas eram arremessadas no gameplay. O cheiro de pólvora se alastrou por cada ponta do auditório, era possível ouvir e sentir reações da plateia. “Até eu que nunca liguei pra Call of Duty fiquei com uma curiosidade bizarra”, relatou o nobre Felipe Gugelmin, que está cobrindo a E3 localmente aqui comigo. Pois é, eis o efeito Sony em sua competência de saber envolver.

Que é uma postura diferente daquela adotada pela Microsoft, seu principal contraste oposto. E não digo isso afirmando que uma é melhor ou pior, jamais; elas apenas são diferentes e coexistem num mesmo ecossistema. Sob a batuta de Phil Spencer, a força verde, ao contrário do que muitos dizem, fez, sim, uma boa conferência. Ela apresentou datas para a maioria de seus produtos, mostrou um montão de jogos, um poderoso console novo com dia exato de lançamento e preço, detalhou um ótimo complemento a um serviço muito querido, a retrocompatibilidade, que agora trará a biblioteca do primeiro Xbox, o foco em multimídia...

A eterna questão dos exclusivos...

Faltou mostrar mais exclusivos – que é, definitivamente, o ponto alto da Sony. A qual, por sua vez, também fez uma boa conferência, segura de seu portfólio e confiante em suas propriedades intelectuais. O foco esteve absolutamente nelas; pouco se viu de jogos third-party. E os que foram vistos, como o já citado Call of Duty: WW 2, trouxeram uma dose caprichada de emoção e produção.

A verdade é que, basicamente, a dona do PlayStation já tem muitos projetos em andamento. Spider-Man da Insomniac, Days Gone, God of War, Uncharted: The Lost Legacy, conteúdo novo para Horizon: Zero Dawn, Detroit: Become Human, novidades para o PlayStation VR... E muitas dessas promessas seguem sem data, algo que a Sony adora fazer. Deixar todos sonhando com tudo isso, uma sábia técnica para fomentar o hype. Não para quem já está calejado e “purificado”. Portanto, mostrar ainda mais projetos a essa altura do campeonato poderia confundir a direção para a qual a empresa quer que os fãs olhem – e essa também é uma sacada mercadológica.

Conferências mornas

A ausência de novas IPs foi, sem a menor sombra de dúvidas, o balde de água fria das conferências dessa E3, tanto no lado verde quanto no time azul da força. A diferença jaz exatamente no talento que cada uma tem em conduzir suas apresentações. A Nintendo, que era o amigo isolado na hora do recreio da escola, agora é o líder de toda uma turma – separada, que pertence a outro colégio, com uma corrente de pensamento diferente.

Números são importantes, sim, concorrência é importante, sim, mas a filosofia das três se mostra cada vez mais diferente

Sony, Microsoft e Nintendo: cada empresa percorre seu próprio caminho. Números são importantes, sim, concorrência é importante, sim, mas a filosofia das três se mostra cada vez mais diferente, algo exposto nos últimos dois ou três anos e ainda mais reforçado agora. A Microsoft deve continuar oferecendo mais recursos multimídia para uma experiência em tamanho família – sem deixar de ser hardcore, ainda mais com o Xbox One X a caminho –, enquanto a Sony abre mão disso para mostrar jogos, jogos e jogos. A Nintendo segue plenamente confiante em suas franquias (e isso nunca deixa de funcionar).

Há um certo ou errado nisso? Elas sabem dizer melhor do que a gente. Afinal de contas, todas coexistem do jeito que são e só se aprofundam no que fazem – sinal de que, bem, as coisas vão bem pros três lados, sem que precise haver uma preocupação de quem está em primeiro, segundo, terceiro lugar. Assim como eu disse ano passado, repito agora: o importante é existir e trazer coisas legais pra gente. O que vocês acham disso? Reflitam conosco na seção destinada aos comentários logo abaixo.

O TecMundo Games está na E3 2017, em Los Angeles, e também tem uma força-tarefa no Brasil para a cobertura completa do maior evento de games do mundo. Continuem ligados porque traremos gameplays quentinhos de muitas coisas apresentadas e outras novidades. Vamos pra mais!

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