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Testamos: Batman Arkham VR faz você se sentir o Cavaleiro das Trevas MESMO

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A realidade virtual ainda tem muita lenha para queimar e precisa dar motivos para convencer os consumidores de que essa é uma tecnologia que veio para ficar. Até porque, convenhamos, os preços não são nada convidativos. Mas as publishers estão mexendo seus pauzinhos para entregar experiências que nos coloquem, definitivamente, numa realidade paralela. E Batman Arkham VR é, em todos os sentidos, a coisa mais imersiva que você vai (quase) sentir estando na pele do morcegão.

O acessório mais barato do disputado território da realidade virtual será o PlayStation VR, que chega em outubro para PS4 e custará US$ 399 (cerca de R$ 1,444 na atual cotação do dólar), mais caro que o próprio console nos EUA, hoje comercializado a US$ 349 (e R$ 2,599 oficialmente no Brasil, apesar de ser comumente encontrado a um preço bem menor que esse). Oculus VR, por sua vez, sai por abusivos US$ 599 (cerca de R$ 2.168), só não mais ostentadores que o HTC Vive: US$ 799 (aproximadamente R$ 2.892, cacilda!).

Portanto, sim, a tecnologia é cara e ainda precisa convencer os jogadores de que o investimento vale a pena. O TecMundo Games teve a oportunidade de testar Batman Arkham VR no estande da Warner durante a E3 2016 e teve ótimas impressões, ainda que existam algumas ressalvas.

PlayStation VR: aprimorado

O primeiro aspecto notável, e mais importante do que o próprio Batman Arkham VR, é o PlayStation VR em si. A Sony está trabalhando a todo vapor no acessório, que está nitidamente aprimorado em comparação ao modelo apresentado em eventos anteriores. Quando testamos pela primeira vez, por exemplo, em 2014, alguns defeitos funcionais marcaram a experiência: encaixe desconfortável, menus mal desenhados e sensação de vertigem (em função da má otimização) ofuscaram o brilho da verdadeira experiência que a Sony quer alcançar.

O senso de detetive fica completamente nas mãos do jogador em Batman Arkham VR

Aos poucos, a empresa chega lá. O PlayStation VR de 2016 está confortável, tem menus intuitivos e traz muita suavidade no sistema de navegação, que só deve causar alguma dor de cabeça aos usuários que forem mais sensíveis a tecnologias assim. De um modo geral, a aceitação é ampla. E Batman Arkham VR atesta isso.

Nada como olhar para o espelho e ver a si próprio: Batman

A sensação é de poder. A demo começa com Bruce Wayne tocando piano em sua mansão. É você quem faz isso por meio dos controles PlayStation Move e da PS Camera, acessórios imprescindíveis para a experiência completa do PlayStation VR.

Em seguida, Alfred entra na sala e diz para o patrão ir até a Batcaverna experimentar uma armadura nova. A caminhada é feita de maneira automática, como num rail shooter (House of the Dead e afins), e você pode girar a câmera em 360 graus com a cabeça quando quiser. Ao apertar os gatilhos dos controles Move, Bruce fecha os punhos, em posição de aplicar socos.

Assim que chega aos seus aposentos, o bilionário profere comandos de voz e digita uma série de códigos para abrir um compartimento secreto. Nesse momento, uma plataforma circular se expõe embaixo dele, no piso, e começa a descer. É quando deslumbramos a Batcaverna em sua forma mais majestosa, ampla, com um leve frio na barriga, pois a plataforma é pequena, mas a caverna é gigantesca, vasta, alta. É difícil se lembrar de que você, no mundo real, está pisando no chão, de pé, fora daquela realidade virtual. Esse “esquecimento” é que provoca o frio no estômago e a vertigem em algumas pessoas.

Chegando lá, Bruce desce da plataforma, fica de frente a uma cápsula gigante e abre a proteção de vidro para pegar sua armadura. Você interage com tudo isso: aperta botões, olha para os lados, ajusta o uniforme nos braços, nas pernas e na cintura. Ao final, é hora de pegar a máscara e trazê-lo até sua cabeça. Neste momento, Batman olha para o espelho. É você.

Olhar para o espelho e ver a si próprio como o Batman é uma sensação que poucas coisas conseguem oferecer

Demo generosa

O sensor da PS Camera, aliado aos eixos de visualização do PlayStation VR, consegue captar muito bem os seus gestos: levante os ombros e o morcegão reproduz o movimento em tempo real; mexa as pernas e ele fará exatamente igual; gire o pescoço para checar o “conforto” dos encaixes superiores e o detetive fará o mesmo; aponte com o dedo indicador para frente e Batman erguerá o braço para te imitar. São coisas que fazem você se sentir como ele mais do que nunca.

Em seguida, empunhe as bugigangas do Cavaleiro das Trevas: batarangue, batclaw e outros apetrechos. Hora de ir até a sala de treino e brincar de pontaria. Em alguns momentos o PlayStation VR perde o foco, e as letras ficam um pouco borradas. Dura pouco, mas pode incomodar. Até porque o ajuste do acessório, apesar de ter melhorado substancialmente, ainda não está perfeito, e você precisa remexê-lo na cabeça com certa frequência até achar o ponto ideal do foco.

Depois de conhecer a Batcaverna, é hora de se aventurar numa rápida investigação nos becos de Gotham. O morcegão deve apurar um caso envolvendo o agressor que deixou Asa Noturna inconsciente. A interação é facilitada graças à movimentação automática do detetive para caminhar. É só encontrar o ícone na tela e apertar o gatilho para que Batman caminhe até um determinado ponto. Em cada cena, você pode olhar para baixo e pegar as bugigangas que estão em sua cintura. O movimento é semelhante ao de sacar uma pistola no Velho Oeste mesmo, e é gostoso sentir esse poder. Depois dessa rápida investigação, a demo termina.

O “barato” que pode sair caro: PlayStation VR, PS Move, PS Camera...

Para que se tenha a plena experiência em realidade virtual no PlayStation 4, atenção: somente o PlayStation VR não dará conta do recado, a menos que você não se importe em ter uma jogatina limitada. Controles PS Move e a PS Camera se fazem necessários e não são nada baratos.

PlayStation Move e PS Camera: acessórios que encarecem a experiência completa

Um controle PS Move Motion (aquele que tem uma bola em cima) custa US$ 40 lá fora (cerca de R$ 144). A PS Camera, por sua vez, cobra US$ 60 (mais ou menos R$ 217). Faça as contas: US$ 400 do PlayStation VR + US$ 80 por dois PS Move (um para cada mão) + US$ 40 da PS Camera. Total: US$ 540 (ou R$ 1.954). Ouch!

Enfim, isso tudo é apenas especulação. O melhor é aguardar a chegada da tecnologia, os jogos que serão lançados para ela, o terreno que aguarda todas essas novidades. Observemos com olhos positivos. Batman Arkham VR pode ser outra marcante experiência com o selo da Rocksteady.

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