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Você não é ruim em jogos — o problema é o seu cérebro [vídeo]

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Mesmo o jogador mais orgulhoso precisa admitir: em dado momento, se surpreendeu xingando o controle, o console e, naturalmente, o próprio jogo por uma ação desastrada. “Mas eu aperte o maldito botão!”, diz o sujeito, amaldiçoando toda a descendência de um pobre desenvolvedor inocente (salvo exceções). Bem, de fato, a culpa não é sua: o problema está no seu cérebro.

Ou, particularmente, em certa inépcia da sua massa cinzenta quando se trata de passar a seguinte informação: “Amigo, você é muito ruim nisto. Já pensou em tentar jardinagem?”. De fato, é disso que trata o vídeo acima, postado pela celebridade do YouTube Anthony Carbone. No centro da questão, entretanto, está certo “lag” (atraso) inevitável quando se trata do cérebro humano.

Imagens com cinco quadros de atraso

Uma TV moderna normalmente atrasa a exibição das imagens processadas em algo entre 15 e 40 milissegundos. Pouco preocupante, alguém diria, já que a taxa de atualização dos melhores jogos normalmente fica em 60 quadros por segundo. Entretanto, eia algo curioso: entre a captação de uma informação sensorial e o processamento do seu cérebro, há um “longo” intervalo de 80 milissegundos.

Basicamente, no frigir dos ovos, as imagens que você acredita ver em “tempo real” na tela da sua TV estão chegando com com 80 milissegundos de atraso. Em outras palavras, o que você vê na verdade se encontra sempre atrasado em aproximadamente cinco quadros. “Mas eu apertei o botão!”. Certamente que apertou — o problema é que foi tarde demais.

Mas nós conseguimos evitar uma bolada na cara

Bem, mas então por que a maioria de nós consegue evitar uma bolada na cara, mesmo com uma velocidade absurda do disparo? Afinal, convenhamos, se o seu cérebro dependesse da informação de alguns milissegundos antes para avisar os seus braços... Ninguém mais teria nariz hoje em dia.

Conforme lembra o sujeito do vídeo, trata-se da chamada “predição neural”. Basicamente, desde que você nasceu, a sua massa cinzenta coleta informações que podem ser úteis em momento futuro. Dessa forma, você se torna capaz de prever a tal bolada assim que vê os primeiros movimentos do pé de alguém — sim, isso deve ter falhado da primeira vez.

Nos jogos, entretanto, as regras formadas a partir da experiência podem ser constantemente subvertidas — de forma que objetos semelhantes podem apresentar comportamentos completamente díspares em jogos distintos. Isso complica as coisas para o seu cérebro, que passa a não conseguir prever com suficiente precisão e velocidade uma situação de perigo — sobretudo quando há inúmeros elementos disputando a sua atenção na tela.

Filtro sensorial

A dificuldade de predizer momentos de perigo em uma tela de video game ganha ainda mais um efeito complicador: o seu cérebro é incapaz de apreender e processar toda a informação sensorial que o rodeia. Caso o fizesse, haveria uma sobrecarga inevitável.

Em vez disso, há o que é chamado de “filtro sensorial”. Basicamente, os seus miolos são destinam o processamento disponível para as informações sensoriais consideradas mais relevantes. E, sim, isso pode deixar passar muita coisa, sobretudo em momentos de stress... Como, por exemplo, quando você joga video games.

Apesar das relativas limitações, entretanto, nosso cérebro é incrivelmente resistente na hora de admitir uma falha. Em vez disso, nós tentamos distanciar os eventos negativos e as derrapadas ocasionais, de tal forma que o problema seja atribuído a consoles, jogos e mães de desenvolvedores. Mas tenha a consciência: o problema provavelmente não vai muito além da sua caixa craniana.

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