Quem diria que ser escravizado por uma mulher seria algo tão divertido

Muitos jogadores reclamam que alguns games simplesmente não possuem um nível de dificuldade elevado. “Nossa, esse jogo é muito fácil, que chato”. Eis um comentário que você provavelmente já ouviu — ou quem sabe até disse a alguém. Mas, sejamos sinceros: um jogo não precisa focar seu desafio na dificuldade para ser divertido. Durante esta geração, tivemos várias provas disso.

Depois do primeiro Prince of Persia desta era dos consoles, surgiram alguns títulos nos quais o jogador dificilmente morria durante sua aventura. A mais nova aposta vem diretamente da Ninja Theory, o mesmo time responsável por Heavenly Sword, um dos grandes clássicos do PlayStation 3.

Enslaved: Odyssey to the West é o nome do mais novo game da companhia, que já está causando alvoroço ao redor do mundo. O título consegue criar uma experiência totalmente cativante, graças à sua história e ao excelente trabalho dos atores. Como se não bastasse, Enslaved é uma aventura e tanto. Mesmo com uma fórmula constantemente criticada, o jogo mostra-se como uma boa opção para aqueles que buscam a essência dos jogos eletrônicos: a diversão.

Enslaved: Odyssey to the West é como um filme hollywoodiano. Temos atuações bacanas e cheias de emoção, personagens carismáticos, lutas bem elaboradas, uma relação divertida e é simplesmente impossível interromper a obra enquanto os créditos não rolarem na tela. Infelizmente, é melhor alugá-lo, a não ser que queira ver tudo de volta. Mesmo assim, Enslaved é uma ótima pedida para quem procura entretenimento de qualidade.

Escravizando o jogador

O título acima parece até estar no local errado, mas não no caso de Enslaved. O motivo? A apresentação do game. A obra da Ninja Theory traz uma belíssima história contada através de uma narrativa espetacular e totalmente natural. O game apresenta-se como uma excelente obra audiovisual, fornecendo cenas de corte cheias de emoção e uma relação totalmente convincente entre os dois personagens.

Mas, do que se trata esse game? Em poucas palavras, Enslaved pode ser comparado a Dragon Ball. Não, não estamos ficando malucos. A razão para citarmos a obra de Akira Toriyama é bem simples. Assim como o famoso mangá/anime, o jogo é inspirado na lenda da Jornada para o Oeste, uma história popular da China que se originou no século XVI.

Não se desespere se nunca tiver ouvido falar especificamente dessa obra. Além de Dragon Ball, que, mesmo com várias alterações, explora muito bem a lenda, diversos outros animes, mangás e até jogos já citaram várias passagens da Jornada para o Oeste. Sendo assim, é bem provável que você esteja indiretamente familiarizado com a história.

Em Enslaved, o jogador encarna um brutamonte conhecido pelo apelido de Monkey. O jogo inicia-se em uma espécie de aeronave que serve como prisão, na qual o protagonista e sua futura companheira, Trip, se encontram. Misteriosamente, o veículo se desestabiliza e começa a cair. Com isso, a inteligente Trip corre para poupar sua vida escapando em uma das naves de emergência. Já Monkey, por outro lado, tem de usar a força bruta para tentar chegar vivo à Terra.

No último instante, o personagem consegue pegar uma “carona” com a heroína, que viaja tranquilamente dentro do pod enquanto Monkey se agarra no que pode para não sair voando. Uma vez em terra firme, Trip decide escravizar novamente o brutamente, colocando uma espécie de bandana eletrônica na cabeça do ex-prisioneiro. Com essa ferramenta, Trip consegue controlar facilmente o gigantesco Monkey, utilizando apenas comandos de voz.

É claro que o fortão não fica nada contente com isso, mas acaba aceitando a situação posteriormente, já que não tem outra escolha. O bacana é que, com tudo isso, temos uma relação extremamente curiosa e que, provavelmente, fará com que o jogador tenha vontade de desfrutar do game até o último segundo para descobrir o que esta dupla é capaz de aprontar. Essa relação é o pilar central que consegue facilmente sustentar Enslaved.

Simples e direto

Tudo bem, a história do game é realmente bacana. Mas, e como funciona a jogabilidade? Imagine uma mistura de Prince of Persia (o primeiro desta geração) com a ação de Devil May Cry. Enslaved é quase totalmente focado na aventura, mas mesmo assim temos vários momentos em que a pancadaria reina.

No game, você enfrenta criaturas mecânicas, os famosos Mechs. Os inimigos são variados, aparecendo em diversos modelos distintos e atacando das maneiras mais bizarras. Felizmente, Monkey também é bom de briga. O guerreiro é ágil e forte, e ainda conta com vários “brinquedinhos” que facilitam o combate.

Um deles é uma espécie de bastão retrátil (semelhante ao utilizado por Goku em Dragon Ball) que quebra facilmente qualquer lata-velha que cruzar seu caminho. Além de ser uma excelente arma para combates corpo a corpo, o jogador ainda pode utilizá-la como um lançador de projéteis. Como arma de fogo, o bastão pode eliminar oponentes à distância ou então paralisá-los. Algo muito útil para os oponentes com escudo.

Em suma, o combate é realmente básico e intuitivo. Você vai utilizar, em grande parte do game, apenas dois botões para mandar ataques leves ou pesados. Posteriormente, novas habilidades são desbloqueadas, assim como aprimoramentos para sua vida, escudo, bastão e combate. Mesmo com algumas mudanças ao longo da jornada, as brigas de Enslaved são tranquilas — pelo menos para o jogador.

Mas, falando em vida e escudo, vale a pena mencionar o esquema de energia do game. Aqui, o jogador conta com uma espécie de campo de força que o protege de tiros e golpes. Quando a barra é esvaziada, Monkey começa a perder vida — algo muito semelhante a Halo.

Durante os momentos em que as coisas parecem um pouco mais calmas, você dificilmente irá morrer. Isso acontece porque o jogador só consegue saltar em determinados locais do game. Sendo assim, é impossível pular por conta própria em um precipício, pois o botão de salto serve como ação evasiva quando o jogo acha que você não deve saltar. E outra: as paredes invisíveis impedem seu suicídio.

Mesmo assim, você vai se divertir muito saltando e escalando os obstáculos de Enslaved. Nesses momentos, o jogo relembra bastante o excelente Uncharted 2: Among Thieves. A linearidade impera, mas o jogo consegue guiar você de maneira tranquila e, o mais importante, em um ritmo bacana.

Parceiros até o fim

Como se pode imaginar, a parceria de Trip e Monkey em Enslaved é extremamente importante. Além de ser motivo de risos e emoções durante as cenas de corte, a relação também aparece como algo fundamental durante o próprio jogo.

A combinação das habilidades dos dois personagens muitas vezes acaba criando a única saída para os problemas encontrados. Isso estabelece uma cooperação extremamente interessante, fazendo com que a convivência realmente seja sentida pelo jogador.  

Durante alguns momentos, é necessário solicitar ações de Trip para avançar na jornada. A personagem pode lançar uma espécie de luz para atrair a atenção dos inimigos, fazendo com que Monkey possa correr para um local que, até então, era inacessível por estar sob a mira dos oponentes. O bacana é que o brutamonte também usa o mesmo artifício, mas sem toda a tecnologia — em vez do holograma, Monkey simplesmente se torna o foco das atenções.

Trip também é a responsável pelos aprimoramentos de Monkey, graças a uma opção disponibilizada no menu de ações da personagem. Aqui, conforme mencionamos, é possível “turbinar” vários dos atributos do herói, graças aos recursos técnicos da moça de cabelo vermelho.  

Em alguns momentos, Monkey terá que carregar Trip em suas costas — literalmente — para que a dupla possa avançar. Aqui pinta um pouco de estratégia, pois o jogador deve lançar a moça em locais de difícil acesso e encontrar outras saídas para chegar ao objetivo. Uma adição legal e que combina com o ritmo diversificado do título.

Em suma, a parceria entre Monkey e Trip é dosada perfeitamente para os conformes do game, oferecendo uma boa exploração e sem se tornar algo chato e frustrante, como acontece em muitos jogos no qual temos um personagem secundário que deve ser constantemente escoltado. Poderia, sim, haver mais interações entre os personagens, mas talvez isto acabasse com o ritmo do game. A Ninja Theory acertou na medida.

Apocalipse espetacular

Sem dúvidas, um dos fatores que chama bastante a atenção em Enslaved é o ambiente e os gráficos em geral. O título conta com uma direção de arte fantástica, a qual concebeu uma Nova Iorque destruída, mas, mesmo assim, extremamente bela. Aqui, os vestígios do local aparecem dominados por uma flora colorida e vibrante, que contrasta com os acontecimentos terríveis ocorridos.

Além dos ambientes variados e repletos de detalhes, Enslaved também dá um show no quesito animação. A naturalidade dos movimentos e das expressões dos personagens, principalmente durante as cenas de corte, é impressionante, o que torna a experiência ainda mais cinematográfica. Destaque também para as dublagens, que se saem muito bem e contribuem imensamente para esse pacote.

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Nas pouco mais de 10 horas de jogo, você notará muitas mudanças em Enslaved, tanto nos ambientes quanto na própria jogabilidade em si. Fora os momentos de combate e aventura, o jogo ainda traz fugas, nas quais Monkey pilota uma espécie de skate voador e muito mais, tudo sem deixar de lado os incríveis panos de fundo.

Só isso?

Tudo bem, não há como negar que as 10 horas ao lado de Enslaved são marcantes, e dificilmente o jogador sairá decepcionado após terminar o game. Mas, e depois disso, o que fazer? Praticamente nada. Infelizmente, o título não oferece muito para quem já passou pelo único modo de jogo do game. Ou seja, depois que terminar o game, a única coisa a se fazer é terminá-lo novamente. Isso é um grande problema para quem comprou Enslaved.

Outro fator que nos incomodou é a falta de orientação em algumas partes do jogo. Mesmo sendo óbvio em alguns momentos, Enslaved conta com alguns eventos em que você pode até “travar” por alguns instantes. Uma seta ou algo indicando o caminho seria realmente bem-vindo, contribuindo significativamente para o ritmo do título.

A câmera também pode ser um problema em Enslaved. Primeiramente, ela é posicionada demasiadamente próxima ao personagem, o que pode atrapalhar nas batalhas e em outros momentos intensos. Além disso, você pode controlá-la, algo que, em nossa opinião, não se encaixa com o conceito cinematográfico buscado pelo game. Afinal, o jogo dirige suas ações, é linear, mas não dirige as câmeras.

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86 ps3
Ótimo

Outras Plataformas

86 xbox-360