Este Diablo de bolso não inova, mas empolga

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Por mais que eu goste muito da fórmula da saga Diablo, a falta de tempo para sentar em frente ao PC e passar horas lutando contra as hordas demoníacas me faz aposentar meu personagem. O sistema de batalha simplificado, a evolução constante do herói e a própria luta para conseguir novos e melhores equipamentos é algo viciante, mas que demanda um pouco de dedicação. Como aliar tudo isso a uma rotina em que seu único momento livre em casa é para dormir?

Embora tenha demorado bastante para ser descoberta, a resposta é bastante simples: levar a mesma experiência para os portáteis. Pois é exatamente isso que acontece com Heroes of Ruin. Ele se aproveita de boa parte daquilo que deu certo com a Blizzard para oferecer uma experiência um pouco diferente daquela que outros RPGs nos ofereceram no 3DS. Mas será que a adaptação funciona?

Se você esperava encontrar a grandiosidade de Diablo em Heroes of Ruin, sinto lhe informar que o game não consegue repetir a fórmula de sucesso, embora tenha êxito em alguns pontos. O foco no multiplayer é realmente o grande atrativo, mas não é o suficiente para atrair quem procura algo realmente novo.

Mas isso faz com que o game seja ruim? Felizmente, não. Ainda que ele seja uma reciclagem de outros títulos do gênero, a produção consegue ser muito divertida, principalmente quando você se reúne com amigos ou desconhecidos para caçar alguns monstros. É claro que isso não é o suficiente para você esquecer os diversos problemas encontrados, mas a companhia na jornada ajuda a tornar esses incômodos menos irritantes.

O poder de muitos

O grande trunfo de Heroes of Ruin não é sua história ou sua mecânica, mas a forma como você encara tudo isso: junto de seus amigos. O título é totalmente pensado de modo que você tenha sempre alguém a seu lado para acabar com os inimigos enquanto explora uma caverna ou um calabouço qualquer. E isso funciona muito bem, pois é o que dá toda a diversão do game.

É claro que você pode optar por seguir sempre sozinho, mas ao preço de perder toda a graça do jogo. É na companhia de outros três heróis — sejam eles controlados por um conhecido ou por alguém que nem mesmo fala seu idioma — que a aventura ganha uma atmosfera mais envolvente e empolgante, principalmente quando você e seus aliados precisam enfrentar diversos inimigos ao mesmo tempo.

Outro ponto que deixa o multiplayer muito mais interessante é a combinação de habilidades. Assim como a grande maioria dos RPGs, os jogadores têm quatro opções de classes para seus personagens, sendo que cada uma prioriza um tipo de característica, como força física ou ataques mágicos. Se usada em conjunto com o sistema facilitado de comunicação, essa variedade torna tudo mais divertido, funcional e impactante.

Muito além de seus olhos

Um dos principais desafios dos jogos para 3DS é dar utilidade ao efeito tridimensional existente no portátil. Por mais que Heroes of Ruin não consiga trazer nada original ou inovador, a sensação de profundidade que o recurso oferece chama a atenção, principalmente durante suas explorações.

O nível de imersão é totalmente diferente quando estamos com o 3D ligado. Sem essa terceira dimensão, o mundo é bem simples e quase sem nenhum atrativo. Porém, basta ativá-la para que o cenário se amplie de maneira considerável, mostrando como a novidade pode ser muito bem aplicada em títulos do gênero. Avançar pelas dungeons e perceber o clima cavernoso é algo que realmente chama a atenção.

Escola Diablo de RPG de ação

Comecei esta análise comparando Heroes of Ruin com Diablo por uma única razão: os dois jogos possuem a mesma essência. A Square Enix conseguiu trazer boa parte da fórmula viciante da série da Blizzard para o 3DS, criando uma aventura que envolve você desde os primeiros momentos.

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Primeiramente, a história é dividida em atos e todo o progresso é feito a partir das missões que você aceita pelo caminho. Algumas só vão ajudá-lo com experiência ou itens, enquanto outras dão continuidade à narrativa. — o que torna o progresso contínuo.

No entanto, o que vai realmente prendê-lo em frente ao portátil é o sistema de recompensas, que lhe premia constantemente com itens e equipamentos, fazendo com que você queira sempre avançar em busca de algo melhor. Embora seja uma fórmula simples e bem conhecida, continua funcionando muito bem.

Sempre juntos

Ainda que a ideia de criar um modo cooperativo em um RPG de ação não seja algo inédito, ela funciona em Heroes of Ruin. No entanto, o que acontece quando a participação de outras pessoas deixa de ser uma ajuda e se torna uma dor de cabeça?

A importância do multiplayer é inegável, mas alguns deslizes tornam a experiência menos divertida do que poderia ser. O principal problema, por exemplo, é a necessidade de fazer com que todos os personagens estejam no mesmo mapa. Seu inventário está cheio e precisa vender algo na cidade? Pois seus aliados precisam ir de carona ou nada feito.

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O mesmo acontece dentro dos mapas, principalmente quando você precisa ir para a próxima área e seu companheiro decide andar em círculos pelo cenário. Ainda que essa dependência faça sentido — uma vez que o jogo não conseguiria manter a conexão em ambientes diferentes —, é impossível não se irritar com esse bloqueio.

A falta de profundidade

Deixando de lado as semelhanças com a fórmula de Diablo, o que resta em Heroes of Ruin? Infelizmente, não muita coisa, já que ele se mostra extremamente raso e não tenta, em momento algum, trazer algo de diferente daquilo que já é feito.

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Mais do que isso, os próprios recursos oferecidos não trazem grande variedade, gerando uma limitação irritante. Quer personalizar seu personagem? As opções são poucas. Desenvolver seus atributos para otimizar seu herói? Pois a quantidade de variáveis é irrelevante, o que não permite praticamente nenhuma liberdade criativa.

Ainda que as habilidades e os equipamentos consigam diminuir essa sensação restritiva, você volta a se sentir preso ao visitar as dungeons extremamente lineares ou ao encarar uma história que não empolga.

70 3ds
Bom