Jogando dentro e fora do Vita!

A Media Molecule, famosa pelos seus trabalhos com a estupenda franquia LittleBigPlanet, acaba de lançar seu novo trabalho exclusivo para o PlayStation Vita, chamado Tearaway. A produção vai colocar os jogadores dentro de um mundo de papel colorido, tesouras, dobraduras e muitos personagens curiosamente sentimentais.

Além disso, a aventura vai contar com a mais do que ilustre participação de uma das pessoas mais importantes do mundo: você mesmo! Com o uso da câmera frontal do PS Vita, seu rosto será colocado no lugar do sol, além do que a trama toda gira em torno da aventura que será entregar uma mensagem para você. Por mais estranho que possa parecer nas primeiras vezes que sua imagem apareça na estrela amarela no céu, você logo se acostuma a se olhar na telinha de seu console.

A história entregue pelo game até que é bem simples. Você assume o controle de iota (ou atoi, dependendo de sua escolha de gênero), que carrega simultaneamente a dupla função de mensageiro e de mensagem. Explicando melhor, o jovem rapazinho de papel é a própria correspondência tentando chegar até você. E, para isso, você também terá que assumir uma nova persona, cuja função é modelar os objetos do caminho, a fim de facilitar a vida do protagonista.

Enfim, para evitar estragar qualquer surpresa que os gamers possam ter pelo caminho, será que a Media Molecule conseguiu construir uma nova produção tão (ou mais) interessante que o jogo que a projetou para o mundo? Vamos conferir.

Tearaway é uma produção da Media Molecule, a mesma empresa por trás da franquia LittleBigPlanet, com uma proposta relativamente parecida, mas que foi lançada exclusivamente para o PlayStation Vita. Além disso, o título ainda apresenta características fenomenais que certamente o colocam no mesmo hall de jogos que carregam propostas fortemente baseadas em arte conceitual.

Em outras palavras, a equipe de produção do game realmente transcendeu os limites das obras convencionais, criando um título que usa elementos extremamente modernos de construção de enredo. A simplicidade com a qual a história é contada esconde conceitos muito mais complexos, que envolvem a participação dos jogadores tanto como protagonistas da trama como também os coloca no papel de elementos internos da aventura.

Não é nenhum absurdo dizer que Tearaway é conduzido de uma maneira quase teatral, assim como já vimos em outras produções muito maiores (como Puppeteer, Stacking e até mesmo o mítico Journey). Mas, como nem tudo é perfeito, a jogatina é bastante curta, sendo que o jogo não alimenta muito sua vontade de retornar ao mundo de papéis e dobraduras, já que não há muito conteúdo disponível além do fim da história.

Enfim, Tearaway é uma das mais gratas surpresas do PlayStation Vita até hoje e o jogo certamente deve compor a biblioteca de melhores títulos do portátil. Vale a pena principalmente para quem gosta de fugir dos “games comuns” e encarar desafios diferenciados — e de certa forma mais adultos.

Este jogo foi adquirido pela equipe do BJ para a realização desta análise.

Que jogo acolhedor

Mesmo depois de alguns anos do lançamento, o poder de processamento do Vita ainda parece ser subaproveitado pelas desenvolvedoras. No entanto, em vez de apelar pela altíssima resolução gráfica, Tearaway aposta em uma composição diferenciada de seus cenários e, principalmente, da mecânica com que tudo funciona.

Trata-se de um mundo imaginário totalmente feito de papel e dobraduras, cujos movimentos das folhas respondem de acordo com a física aplicada em qualquer folha comum. O vento, a neve ou a reação dos objetos à passagem de iota, tudo está intrinsicamente ligado e funcionando em uma harmonia quase perfeita.

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Para completar o conjunto, a Media Molecule (como de costume) caprichou no trabalho de áudio que embala a aventura. Tanto a trilha sonora quanto a sensacional dublagem dos personagens foram cuidadosamente idealizadas e inseridas no jogo, com a precisão de quem escreve nomes em grãos de arroz.

Enredo teatral: trama sólida e envolvente

Um dos pontos que mais irá marcar sua passagem por Tearaway deve ser o belo e convidativo enredo da produção. E essa história simples e emocionante ainda consegue criar um elo muito significativo na interligação do universo de fantasia do game com o mundo real.

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No entanto, a trama faz com que, de repente, entregar uma mera carta, cujo conteúdo lhe é absolutamente desconhecido, passe a ser uma tarefa hercúlea e da maior importância. E o melhor de tudo é que essa correspondência está destinada a você mesmo... Fácil de entender?

Vista o Vita como uma luva

Depois de tantas empresas dizerem que utilizariam de “formas únicas” os recursos exclusivos do PlayStation Vita, finalmente uma delas conseguiu cumprir a promessa. A Media Molecule encontrou uma maneira de dimensionar os controles sensíveis ao toque do portátil, de forma que você não precise posicionar e reposicionar o gadget em sua mão para poder encontrar a melhor acomodação.

Tanto o recurso de touchscreen frontal quanto a traseira exercem suas respectivas funções, contando inclusive com um grau de importância similar. Para se ter uma ideia, quando você pressiona o touch de trás do Vita, parece que seu dedo realmente entra no mundo fantasioso de Tearaway.

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Além disso, sua participação na jogatina parece dividida em dois momentos. O primeiro deles é assumindo o controle do protagonista da aventura, enquanto o segundo é como uma entidade mais poderosa, que altera a composição do cenário e permite que iota (ou atoi) avance até patamares antes inatingíveis. E essa dupla personalidade só é possível devido ao alto refinamento dos controles.

Personalização longa e demorada?

Certamente um dos pontos que mais incomoda os gamers em títulos que oferecem grande personalização de itens é a elevada complexidade desses modos. Ao contrário disso, em Tearaway você simplesmente pode desenhar o seu item e até mesmo utilizar fotos capturadas com a câmera do Vita para estampar objetos e personagens.

Mesmo quem não é lá muito fã de ficar adornando objetos dentro de jogos certamente irá se arriscar a desenhar um bigode mais pomposo ou outro adereço muito mais engraçado do que aqueles pré-existentes nas opções do jogo. Além disso, quem é que não gosta de mostrar seus dotes artísticos ou de ter o rosto estampado no lugar da estrela maior dentro de uma produção exclusiva do PlayStation Vita?

O que é bom dura pouco?

Tearaway conta com o ponto negativo de ser um pouco curto demais. Além disso, vale afirmar que a obra oferece poucas razões efetivas para que você volte a entregar uma mensagem para si próprio. Mesmo com a quantidade de possibilidades de personalizações e afins, como nos demais títulos da Media Molecule, você vai praticamente explorando cada cantinho de um cenário antes de avançar para o próximo.

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Por essa razão, quando você chegar ao final da aventura pela primeira vez, seu progresso possivelmente terá sido muito relevante. Então, além de não haver mais os elementos surpresas contidos no decorrer da jogatina, você já deve ter feito praticamente tudo o que o game oferecia.

Portanto, podemos considerar Tearaway um título para ser jogado uma ou duas vezes, antes que você deixe-o de lado por um longo tempo.

89 psvita
Ótimo