Mais combates, menos bom humor... Mas ainda assim divertido

Um dos justiceiros mais controversos da história dos video games está de volta. Em The Baconing, DeathSpank terá novamente que salvar um mundo que, provavelmente, necessita de seus serviços em uma lógica do tipo “dos males, o menor”. E o melhor? Você sequer precisará ter jogado os títulos anteriores da franquia já que, segundo a Hothead, a cronologia aqui funciona de forma mais ou menos semelhante ao que ocorre nas películas de James Bond — que é, bem entendido, praticamente nenhuma cronologia.

The Baconing tem seu início com um DeathSpank particularmente entediado. Aparentemente, o mal foi tão intensamente varrido da superfície do planeta, que não há muito o que fazer. É claro que um pouco de perversão sempre pode resolver o problema. Dessa forma, o herói resolve vestir, de uma só vez, todas as seis “tangas da virtude” — elementos centrais na trama da franquia, e fonte de poder inesgotável.

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Mas há um revés aqui: vestir todas as peças íntimas de uma vez acabou por invocar uma versão maligna de DeathSpank intitulada Anti-Spank. Para piorar ainda mais as coisas, o novo inimigo traz consigo um enorme exército de ciborgues pesadamente armados. A solução é tão pitoresca quanto a origem do inconveniente: DeathSpank terá que coletar os cinco fires of bacon, de forma que seja possível queimar as tangas e tornar o Anti-Spank vulnerável — não, definitivamente não faz muito sentido.

Ao analisar a nova trama por trás de The Baconing, fica claro que se encontra aqui exatamente o mesmo humor escrachado dos jogos anteriores, uma característica inequívoca do genial Ron Gilbert. Dessa forma, caso a coisa permanecesse nisso, o que se poderia dizer é: sem grandes novidades, DeathSpank apresenta uma nova história descontraída.

O problema é que a trama da nova desventura de DeathSpank não necessariamente se encontra no centro do picadeiro. Na verdade, The Baconing desloca o foco da série dos puzzles e diálogos despretensiosos para uma profusão de cenas de combate, colocando dezenas de monstrengos e criaturas anormais (nenhum problema com isso, é claro) para desfilar em uma sequência perigosamente linear.

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Ao final, nem mesmo a resoncstrução à la Blade Runner do  novo mundo de jogo consegue apagar a impressão de que o bom humor de Gilbert foi deixado de lado em favor de um nível de ação sem precedentes. Enfim, vamos aos detalhes.

Então você é um aficionado pela mistura singular entre Diablo e Monkey Island de DeathSpank, e também um fã do estilo inconfundível de Ron Gilbert? Ok, The Baconing pode ser uma boa pedida... Desde que certa mudança de direção seja considerada.

The Baconing certamente mantém o bom humor dos jogos anteriores, e DeathSpank se mantém tão carismático (mesmo que de forma estranha) quanto sempre foi. Entretanto, o foco aqui nitidamente passou da irreverência, dos puzzles e da ação para uma sequência virtualmente idêntica de combates que não necessariamente funcionam como deveriam. O restante ainda vale a pena? Bem, isso vai depender do seu senso de humor.

O legado de Ron Gilbert

Isolando-se a história de The Baconing, fica fácil perceber que a nova aventura de DeathSpank respeita o estilo de humor descomprometido e um tanto nonsense que sempre marcou a franquia. Afinal, há as mesmas piadas de contexto, os mesmo diálogos inflamados entre criaturas caricatas e, é claro, a mesma arquitetura bizarra.

Com vocês, Spanktopia

The Baconing inaugura um novo estilo artístico em DeathSpank, algo que certamente serve para dar continuidade a algo que teve seu início na Idade Média para, posteriormente, ganhar canhões e armas lasers. A paródia da vez chama-se Spanktopia, uma cidade toda carregada de elementos que lembram Jetsons, Star Wars, Battlestar Galactica e Rocobop. Embora o estilo artístico tenha permanecido basicamente o mesmo, as novas localidades acabam sem dúvida adicionando frescor à série.

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Alguns beliscões na jogabilidade...

Verdade seja dita: os combates em The Baconing não passaram por nenhuma reformulação drástica. Em outras palavras, você ainda terá dois conjuntos de armas para alternar (utilizadas para ataques à distância e próximos), em um arsenal que inclui geringonças como o Mobile Nuker e martelo World Smasher. Ademais, o medidor de justiça também faz seu retorno, permitindo ataques poderosos de tempos em tempos.

Entretanto, uma adição torna as coisas um tanto mais fáceis para o herói (sobretudo se considerado o novo foco em combates). Não, não se trata de nada apoteótico, mas sim de um simples e funcional escudo, que poderá ser utilizado tanto para repelir flechas quanto para empurrar inimigos próximos (que permanecem tontos durante algum tempo). Ademais, ainda será possível coletar uma ampla variedade de armamentos, todos com poder de fogo e ataques de carregamento distintos.

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Busque cobertura

Os cenários em The Baconing são um tanto mais funcionais que as estruturas encontradas em títulos anteriores. Você agora poderá utilizar os arredores para proveito próprio, seja escondendo-se atrás de um obstáculo ou disparando em barris explosivos.

Bom humor soterrado em combates

The Baconing comete o grave pecado de deixar a trama de DeathSpank em segundo plano. Dessa forma, ao mesmo tempo em que o humor nonsense da série acaba ofuscado, o foco é assumido pelas mecânicas de combate... O que, convenhamos, nunca esteve entre os pontos fortes da franquia.

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Mais do mesmo... Novamente

O que exatamente fez com que vários jogadores adquirissem Thongs of Virtue? Certamente não foi qualquer tipo de renovação na fórmula. Bem, o mesmo se pode dizer de The Baconing. Afora a supressão do nome do protagonista no título, fato é que a estrutura se mantém razoavelmente a mesma — com exceção da profusão de combates mencionada acima, o que não necessariamente representa algo positivo.

80 pc
Ótimo

Outras Plataformas

80 ps3
80 xbox-360